terça-feira, 18 de março de 2008

De quem é a responsabilidade?

Hoje, lendo uma notícia no jornal, lembrei-me de uma vez que estava viajando entre Curitiba e São Paulo em um ônibus da Viação Cometa que, por acaso, vinha trazendo de carona um motorista da concorrente Viação Itapemirim. Como os dois motoristas conversavam em voz alta e eu estava sentado logo nas primeiras poltronas vinha ouvindo a conversa deles. Fiquei sabendo que o motorista da Itapemirim era da Bahia e que pela primeira vez tinha feito a viagem entre São Paulo e Curitiba e agora estava voltando, sem saber de São Paulo para onde seguiria. Depois, fui informado pelo motorista da Cometa, que era normal essa situação ocorrer na concorrente.
Mas voltando a notícia que li. Na madrugada de ontem, um ônibus da Viação Itapemirim que fazia a linha Curitiba/Rio de Janeiro, provocou um acidente sobre o viaduto de acesso da Marginal do Tietê à Rodovia dos Bandeirantes. Segundo consta, o motorista errou o caminho e subiu o viaduto. Ao notar a falha, ao invés de seguir adiante e retornar quando possível, o profissional resolveu (pasmem) manobrar sobre o viaduto e retornar pela contramão, com a agravante que essa alça é em curva. Conclusão: matou dois rapazes (23 e 19 anos) que estavam voltando para casa, após participarem de um culto da igreja adventista. A perícia constatou que o ônibus estava descendo na contramão à cerca de 80 km por hora.
Segundo alguns passageiros, o motorista assumiu o volante em Registro e lá já se perdeu para conseguir entrar na Rodovia Régis Bittencourt, o que prova que ele não conhecia o trajeto e, ainda segundo os passageiros, ao notarem a loucura que ele estava fazendo sobre o viaduto em São Paulo, tentaram alertá-lo, batendo na porta que divide o compartimento do motorista, mas não foram atendidos.
O profissional encontra-se detido e a empresa, em nota, disse que está prestando toda assistência à família da vítimas (os rapazes eram cunhados). Não estou aqui acusando ninguém, nem sei se a informação que recebi do motorista da Cometa é verídica, mas acho que os orgãos reguladores precisam ficar atentos com isso. O mínimo que se espera, quando se viaja de ônibus é que o motorista, tenha sido suficientemente treinado para que conheça aquele trajeto, como se fosse o caminho de sua casa.

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